sexta-feira, 24 de junho de 2011

Onde arranharia seu disco?

Dia morno sem sal nem porquê. É...o calendário não me dá folga mais uma vez. Transito entre uma leitura e um rabisco. Revisito algumas imagens  que se projetam e se apagam...percorro cenas de histórias nas telas...rebobino o tempo, reviro épocas... nada me traz a vida. Recorto os momentos eternizados pelas emoções...substituo-os por aqueles despercebidos e banais do cotidiano...reconheço sua imortalidade breve com a leveza de não ter qualquer obrigação de ser o dia mais feliz da minha vida...é..."tem dia que de noite é F...!!!" Abandono a via, varro a memória e esbarro em frases perdidas no meio do rascunho...divago sem vaga nas lembranças...recorro ao abrigo do consolo de ter vivido... me aninho então em canções esquecidas...cantarolo em silêncio um tom, um timbre. Lembro-me do que retenho dos filmes...algum detalhe insignificante na fala ou numa tomada...uma perspectiva...um ângulo...um silêncio que fala tanto...mas ninguém sequer ressalta...as vezes nem mesmo o autor...será que ninguém reconhece meu desenho? "A vida rola em um disco vinil"...se não foi exatamente isso que quis dizer o roteirista daquele filme alemão "Absolute Giganten", no meu roteiro eu diria assim! No filme, o protagonista principal considera que sempre tem uma música dentro da gente tocando para cada momento na vida... como uma melodia de fundo que já estreia com sua chegada! Uns só se dão conta quando o silêncio se faz. Mas uma trilha sonora composta por momentos que tocam em sequência sem cessar no tempo da existência...exatamente isso, é mágico, uma trilha sonora com a cara de sua vida!!! hum...me diz que música está tocando agora no seu momento? Sua música já tocou ao mesmo tempo em outra vida? Essa cumplicidade da sintonia surge da fusão de energias entre alguns seres privilegiados que se sentem e se reinventam uma nova versão no breve instante de algumas faixas...ritmos e letras se alternando na intensidade dos sentimentos...tudo é recoberto de som inundando os intervalos até a última nota. Algumas estrofes tiram o fôlego...refrãos insuportavelmente aborrecedores...trechos desafinados...porém versos submersos de êxtase, plenos de amor e pesares...rimas inocentes...tristezas agudas...ares impregnados nos pulmões como uma flecha no arrepio da pele. Lembro-me daquele garoto que via o pôr-do-sol quando estava triste...”um dia” o assistiu 43 vezes em seu asteroide B612...solução de afago para distrair a tristeza...mas, e nos dias em que não precisaremos do consolo do pôr-do-sol os momentos forem inesquecivelmente bons? Como o garoto não foi indagado a respeito, corrijo então a lacuna com a resposta: neste dia, na música de fundo, seria maravilhoso se pudéssemos fazer repeti-la arranhando o disco nos nossos melhores momentos... em que momento arranharia o seu?

2 comentários:

  1. A música: Não queira saber a hora, o momento...foram poucos mas foram marcantes e, com certeza, adoraria que o disco também tivesse sido arranhado nestes momentos... bjoks

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