segunda-feira, 25 de julho de 2011

O contrário do alívio

Depois de duas semanas de lesão, ainda em Natal, recordei-me da rotina de antes...correria, falta de tempo, correção de provas, preparação de aulas, atendimento a alunos a cada passo no corredor da universidade...intervalos só nos deslocamentos de um lugar a outro...adormeci em meio a tantas tarefas tão familiares deixadas para trás, disputando vaga entre os papéis imaginários sobre a cama...acordei retorcida e sobressaltada...adrenalina queimando o espanto, temperatura explodindo!! "O despertador emperrou, estou atrasada!!". Antecipo-me com a intenção de retirar-me da cama sem hesitação. O empuxo não decola, minhas pernas desobedecem sem tração...o colchão me gruda...por alguns milésimos de segundos recorro a insistência confusa, atordoada de mover-me...metade ainda dentro do sono, metade ali, enterrada dentro de um jarro, acenando as hastes e pedindo socorro...minha testa contrai-se...os olhos apertam o entendimento se rendendo a uma espécie de contrário do alívio...lábios imprensados na explicação...sensação de cair em si...realidade me buscando de volta, me devolvendo ao colchão de onde sequer removi-me... me despeço do gosto nostálgico do sonho...para despertar em um pesadelo...

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