sábado, 6 de agosto de 2011

Ainda há tempo: não perca suas meias

Quando era pequena eu acreditava ter criado uma "teoria". Sempre que eu procurava muito um par de meias, em uma pressa desesperada - mas não era qualquer par de meias, era aquele que combinava com os tênis, com a saída e não "cabia" outro - obviamente, não o encontrava e tinha que ceder a um outro sem "graça", ainda que solidário, hiper útil, salvador até, porém tão desvalorizado por causa da situação. Pois bem...dia seguinte, era  a vez de perder a chave da gaveta do escritório...e dentro dela, o documento importantíssimo para fazer a inscrição do...digamos...vestibular... pois aquele dia seria o último prazo...ou, a carteira do plano de saúde, pois a consulta marcada há 3 meses aconteceria em uma hora...aquela busca louca por necessidades específicas e insubstituíveis, deixando rastros do tipo "um ladrão passou por aqui!". Adivinhem o que eu encontro ao invés da chave? Claro!!!...é isso mesmo...o tal par de meias...o mais incrível: onde foi parar a super importância daquele mísero par de meias? Como em um dia ele era o meu mais precioso tesouro e no outro ele tornou-se tão insignificante? Tenho a impressão de dar importância atrasada ou adiantada a algo, mas nunca com pontualidade...ou sou pontual sim, mas não dou o valor certo a cada coisa...parece que tudo estava tão ali ao alcance, que me dei ao luxo de adiar ou mesmo ignorar...como aquele quadro que tem no corredor de um prédio que frequentamos todos os dias...a gente passa, e sabe que está ali...mas nunca o fitamos realmente...um dia tiram de lá e nos perguntamos "está faltando algo aqui...talvez um quadro...mas eu nem sei mesmo o que tinha nele". O que isso tem a ver com o que estou vivendo agora? Foi essa a pergunta que lhe veio a cabeça? (não, minha lesão medular não afetou o cérebro). Se foi esse o questionamento, será que essa pergunta veio atrasada ou cedo demais? Bom...por via das dúvidas...eis-me respondendo em considerações...não se pode deixar para última hora a importância de algo imprescindível e incontornável. Desconfie que algo importante passa despercebido enquanto "as pessoas na sala de jantar estão ocupadas em nascer e morrer". Tenho tempo agora de perceber as pernas que não funcionam, o caminho com rastros imaginários por onde eu deveria ter trilhado minhas marcas. Tenho tempo suficiente para não ter pressa para nada e enxergar os detalhes mais importantes. Ainda há tempo, fique atento. É importante? Então não perca suas meias...assim você não vai precisar procurá-las.

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