Não lembro exatamente quando os
conheci. Lembro como e quem foi o primeiro. Bem nas telas do cinema, aquele
homem de azul e vermelho confundido com um pássaro (ou um avião?) que caiu de
um cavalo “na vida real”1 para enclausurar-se em seu corpo imóvel.
Poucos anos depois, descobri em um livro o cara que mergulhou de cabeça em lago
raso2 dando adeus a felicidade de seu ano velho. Em seguida, o
atleta recordista que tinha "pulo" em seu nome3, amputa a
perna após um acidente de carro, assim como o grande velejador4
também se despede da sua em uma hélice no mar. Por último, Bauby5,
um editor de revista após um AVC descreve pelas asas de suas pálpebras o quão
encarcerado ficou em seu "escafandro".
Senti-me comovida pelas perdas
tão impiedosamente definidas e fatais. E eu ainda não falei dos anônimos, muito
mais numerosos. Esses que nem tiveram chance de tornar-se heróis. Sem escolhas,
foi assim. Sim...comovi-me ao descobrir essas vidas surpreendidas pelo acaso.
Pelo acaso? O super-homem que não voava mais...aliás, nem sequer se mexia mais,
precisando de respiração mecânica? O João do pulo que não "pulava"
nunca mais? Ou pior, só se deslocaria quase se pulasse? Não seria o caso de
descrever uma sutil ironia sarcástica no teor dessas histórias? A vida nos
prega peças...e eu gostaria imensamente de saber onde se situa a minha...ah
sim...desculpe não ter me apresentado. É que você caiu na minha vida, assim, do
nada, como eu caí naquele dia 12 de abril de 2011 descendo as arquibancadas de
um ginásio de esportes para uma aula de basquetebol, veja você. Você apareceu
agora, de surpresa, assim como minha queda surgiu. Vamos começar a apresentação
de minha vida daqui mesmo?
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